terça-feira, 22 de novembro de 2011

Primavera dadaísta


La fleur de ta peau
Da tua côr
La fleur de ta peau
 A tua flor
La fleur, la fleur, la fleur,
A tua pô !
A de quem ?
De Flor

sábado, 11 de junho de 2011

Dialética do Amor

Lá estava o bêbado
Cambaleante
De andar desconcertado
Roupas rasgadas
Pele suja
Com cheiro de cigarros antes fumados

Lá estava a dançarina
De passos errantes
Roupas bonitas
Pele limpa
E cheiro de flores que brotam na primavera
E o que o bêbado tem a ver com a bailarina?

A dança

Ambos dançavam a mesma música
Davam cambalhotas
E riam das suas peraltices

Ao lado estava
O palhaço
Pintado
Lúdico e libertino
Com cheiro de tinta e perfume barato
O que o palhaço tem a ver com os dois?

Pouco

Do bêbado e da bailarina
representava a alegria de viver e dançar
E fazia dos dois um só corpo
Um só estado
Um só cheiro
Uma só alegria

No meio estava o amor
O que o amor tem a ver com os três?

Tudo

Este era
Cambaleante
De andar desconcertado
Roupas rasgadas
Pele suja
Com cheiro de cigarros antes fumados
De passos errantes
Roupas bonitas
Pele limpa
E cheiro de flores que brotam na primavera
Pintado
Lúdico e libertino
Com cheiro de tinta e perfume barato
Um só corpo
Um só estado
Um só cheiro
Uma só
Alegria
Acrescentado um pouco de
Confusão e contradiçao 
mas sem nenhuma
Razão

Des(encontros)

Certo dia um viajante que passava em algum canto perdido do mundo escutou uma voz feminina a lhe chamar, a voz dizia:
- Ei, vem cá, ando há muito te observando, ando há muito te espreitando, te esperando e gosto do teu jeito
O viajante lisonjeado disse:
- Que coisa linda de se dizer, e que coisa gostosa de ouvir.
Passaram um tempo se falando e começaram uma amizade.  Todos os dias o viajante passava pelo mesmo lugar e conversavam durante horas, este nunca vira seu rosto, apenas escutava os ecos doces daquela menina.
Em pouco tempo um se acostumara ao outro, mesmo sem nunca terem se visto pessoalmente, a razão da amizade ir crescendo talvez se desse por conta da sincronia gostosa que os dois tinham, era como se já se conhecesse faz tempo, vai saber né? Talvez sim, talvez não ou talvez os dois.
O viajante todo dia lhe conta segredos, a menina também partilha os dela, mas parece gostar mais de escutá-lo e rir das histórias engraçadas em que ela se identifica, se projeta e desperta em si mesma uma viajante.
A relação dos dois tem uma porta aberta e sincera, cada um tem um bocadinho do mundo do outro, e os dois se têm, nem se perguntam onde isso vai dar, na realidade já se deu e já se deram. E vão levando o tempo em que estão longe juntos. Não fazem promessas um ao outro, não precisa.
Um dia o viajante teve que viajar e não passou mais pelo mesmo lugar, passaram tempos sem se encontrar, mas não se esqueceram nem um pouco um do outro. O viajante passava por vários lugares parecidos com o que ele escutara a menina na primeira vez, em vão, não escutava mais. E logo agora, que tinha tantas outras histórias, tantas outras agonias, tantos outros segredos, tantos outros desatinos e destinos para partilhar. Mas ele não se importava, sabia que iam se encontrar ainda.
Assim viajou mais ainda e mais, fazendo o que mais gosta: descobrir o mundo e o novo, redescobrir o velho e encontrar outros ecos, sabores, cheiros, cores, desejos e sentimentos guardados em sua essência, despertados em contato com lugares que percorre.
De tanto procurar e não encontrar o viajante um dia guardou um medo em si, foi por pouco tempo talvez um milésimo de segundo, mas sentiu. O medo era de nunca mais encontrar de nunca mais escutá-la, de nunca mais contar seus segredos.
Certo dia ao voltar pra o lugar onde nascera o viajante foi andando em lugares então esquecidos na sua memória, e viu que de longe vinha uma menina, com ar de mulher. Gostou do jeito que ela era sem nem escutá-la e intrigado a perguntou:
- Estou aqui te observando e acho que te conheço, quem é você e de onde vem?
- Sou uma viajante, não venho de lugar nenhum e de todos lugares, venho procurando uma voz que ouvi há algum tempo, mas não escuto mais.
O viajante facilmente reconheceu aquela voz. Assim cada um sorriu para o outro já sabendo do que se tratava. Era a primeira vez que um enxergava os olhos do outro e que um enxergava o sorriso do outro.
Os dois descobriram que amar é libertar e se libertar, que os nexos desconexos da realidade trazem um para perto do outro. Que quanto mais livres mais perto estamos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Tempo de tempo ruim

O sol se esconde
O tempo consome
São tantas as tempestades
Eita tempo
Ruim!

Qual das previsões metereológicas ou astrológicas
Dotadas de pouca lógica
Fenecerá a dor consumida de tempos tempestuosos?
Quem do silêncio escutará o trovão
Abafado pela distância?

São tantas as tempestades...

A resposta vem a tempo
apenas um contratempo
Dê tempo ao tempo
Ruim.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Recado do Andarilho

Passei por aí deixei um pedaço do meu coração
Um pedaço da minha alma e o rastro de meu ser
Trouxe comigo teu cheiro, teu beijo e a saudade.

Mais tarde vou retornar
Num dia de Sol, olhe pra o leste e verá
Chegarei com um sorriso, um beijo e algumas histórias

Vamos rir de como vencemos o tempo, distância e a saudade
Te direi que andei, andei e te encontrei
E descobri que o andarilho não quer mais andar.

Andarilho


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Menino Urso



Menino urso de olhos redondos
De coração brando
Menino de largo sorriso
De braços reconfortantes
E amores sinceros

Menino grande, crescido não
Alegre e de energia contagiante
Compactada em bombas atômicas de felicidade
Que quando estouradas
Rasgam o ar com som de risos engraçados

Menino maluco e bêbado
Bêbado sim por que não?
De lombras desvairadas
Que entorpecem o mais “lúcido”
E fazem rir qualquer triste pessoa

No bar ele chamava Seu Osmar o garçom
Na realidade era seu Luís
E eu lá feliz com tamanho disparate
Mal conseguia parar de rir
E ele a me abraçar acompanhava no mesmo ritmo VIVO

E ainda tinha Joaquim Cardozo
Que o destratou como um idiota
Talvez por ser insensato
Talvez por não querer entrar na onda
Talvez por ser uma estátua

Ele a gritar:
“Aqui é festa amor”
E era mesmo, pois a festa
Que vem dele é como uma banda que toca freneticamente
A dança da vida e a melodia do amor

Tais palavras que aqui escrevo
É apenas uma síntese
Do mais puro sentimento que venho nutrindo por ele
E ainda tem muito acrescentar, tudo que sei é que:
Everybody loves Léo

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Canção da partida


O vento anunciava a hora da partida
Soprava uma canção triste
Uma melodia desagradável
Entorpecia meu coração com uma batida de dor

O Sol nem quis se pronunciar
Colocou-se atrás das nuvens
Como quem criava de propósito
Um cenário sombrio

As flores gemiam em algum canto
Cantarolavam junto com a melodia do vento
Uma tristeza já antes anunciada
Do amor distante

As ondas do mar que tentavam inutilmente
Roer uma falésia viva
Batiam como tambores da mesma canção
Anunciando o fim da festa

As árvores, algumas poucas que ali estavam
Arranhavam-se umas nas outras
Soltando gritos de dor
Os mesmos gritos que minha garganta não foi capaz de soltar

Um passarinho anunciou
A chegada do ônibus que a levaria
Para longe, e sem nenhum pudor
De repente a música parou

O silêncio que tomara conta do ambiente
Não aquietou meu coração
Dilacerou a paz e a felicidade
A dor se instalou ali

Sim ainda era possível ouvir algum som
Era o som de mandíbulas que comiam a alegria
E mastigavam com vontade
A razão de eu ainda sorrir

Sussurros invadiram minha alma
E neste momento gritavam dentro de minha cabeça
Uma frase embaralhada em sons torpes
Que só foi possível entender com um tempo

Uma frase tão doída quanto aquela canção
Gritava, gritava, gritava
Agora em uníssono a frase dizia:
“Ela foi embora”