quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Menino Urso



Menino urso de olhos redondos
De coração brando
Menino de largo sorriso
De braços reconfortantes
E amores sinceros

Menino grande, crescido não
Alegre e de energia contagiante
Compactada em bombas atômicas de felicidade
Que quando estouradas
Rasgam o ar com som de risos engraçados

Menino maluco e bêbado
Bêbado sim por que não?
De lombras desvairadas
Que entorpecem o mais “lúcido”
E fazem rir qualquer triste pessoa

No bar ele chamava Seu Osmar o garçom
Na realidade era seu Luís
E eu lá feliz com tamanho disparate
Mal conseguia parar de rir
E ele a me abraçar acompanhava no mesmo ritmo VIVO

E ainda tinha Joaquim Cardozo
Que o destratou como um idiota
Talvez por ser insensato
Talvez por não querer entrar na onda
Talvez por ser uma estátua

Ele a gritar:
“Aqui é festa amor”
E era mesmo, pois a festa
Que vem dele é como uma banda que toca freneticamente
A dança da vida e a melodia do amor

Tais palavras que aqui escrevo
É apenas uma síntese
Do mais puro sentimento que venho nutrindo por ele
E ainda tem muito acrescentar, tudo que sei é que:
Everybody loves Léo

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Canção da partida


O vento anunciava a hora da partida
Soprava uma canção triste
Uma melodia desagradável
Entorpecia meu coração com uma batida de dor

O Sol nem quis se pronunciar
Colocou-se atrás das nuvens
Como quem criava de propósito
Um cenário sombrio

As flores gemiam em algum canto
Cantarolavam junto com a melodia do vento
Uma tristeza já antes anunciada
Do amor distante

As ondas do mar que tentavam inutilmente
Roer uma falésia viva
Batiam como tambores da mesma canção
Anunciando o fim da festa

As árvores, algumas poucas que ali estavam
Arranhavam-se umas nas outras
Soltando gritos de dor
Os mesmos gritos que minha garganta não foi capaz de soltar

Um passarinho anunciou
A chegada do ônibus que a levaria
Para longe, e sem nenhum pudor
De repente a música parou

O silêncio que tomara conta do ambiente
Não aquietou meu coração
Dilacerou a paz e a felicidade
A dor se instalou ali

Sim ainda era possível ouvir algum som
Era o som de mandíbulas que comiam a alegria
E mastigavam com vontade
A razão de eu ainda sorrir

Sussurros invadiram minha alma
E neste momento gritavam dentro de minha cabeça
Uma frase embaralhada em sons torpes
Que só foi possível entender com um tempo

Uma frase tão doída quanto aquela canção
Gritava, gritava, gritava
Agora em uníssono a frase dizia:
“Ela foi embora”