sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Aventuras em série


Tudo aconteceu de forma rápida e desarticulada, um verdadeiro desatino, mais um entre tantos.
Aquela menina mais conhecida como a amada, tinha feito um chamado irrecusável que já era esperado fazia tanto tempo.
Conversei então com meu fiel amigo, um francês tão louco quanto o narrador que aqui vos fala. Este topou sem pestanejar dizendo:
- Vamos nessa que é bom abersa!
Os dias (poucos dias) que tivemos pra organizar o pouco que tinha a se organizar passaram rápido, mesmo assim ainda tinham coisas a serem postas no lugar. A principal dela, o que fazer com minha filha querida que atende por Maria Antonieta cuja patinha estava machucada. Veio então a Idéia de um hotelzinho, onde ela se adaptou muito bem com @s companheir@s caninos.
Com o carro estava tudo bem até então, mas parecia que a calma que este se encontrava era uma preparação das malandragens e travessuras que ele aprontaria durante a viagem, a seguir logo receberia o apelido carinhoso de Peleguinho devido às constantes birras que este fazia.
Peleguinho é um carro muito temperamental, que tem vontade própria e o costume de fulerar com o motorista que insiste em lhe tratar com carinho e compreensão.
Chegado o dia daquela segunda-feira ensolarada, partimos então na busca por aventuras, cheiros, sensações, sentimentos, pessoas das mais deliciosas companhias, ventos uivantes em praias ensolaradas ou o nascer da lua que anunciava a chegada do solstício de verão; partimos na busca, atendendo ao chamado de nossos corações.
Tudo ia bem nos primeiros 90 km até o Peleguinho aprontar a primeira das suas, e de tantas outras que viriam. A espera foi dolorosa ao coração que só queria chegar e se sentir acalentado por sua principal moradora.
O prejuízo inicial do Peleguinho nos custou uma quantia boa em dinheiro que havíamos reservados para aventura que viria.
Passada a primeira pelegagem, pegamos novamente a estrada quando a tarde já caia e o Sol anunciava sua dormida. Quando enfim chegamos me encontrava num estado de letargia da qual só havia forças pra um hambúrguer, uma boa ducha e alguns beijos da pequena potiguar que alegrava meu coração naquela noite e fazia esquecer a viagem que se passara, levando meu cansaço embora.
Ao raiar da terça-feira andamos e conhecemos um pouco a cidade de Natal, fizemos compras com uma de nossas companheiras de viagem mademoiselle Débora, apelidada cariosamente de Deb, tão doce quanto um pão de ló. Enquanto esperávamos as outras duas companheiras, as pequenas potiguares Bruna e Isadora Morena que emana uma das melhores energias que já senti próximo de alguém, energias tranqüilas e, diga-se de passagem, a pessoa com mais juízo na viagem.
Chegamos ao camping por volta das 15h e o Peleguinho ainda estava tranqüilo, em seguida tomamos nosso primeiro banho de mar da viagem na praia do Amor, que fazia jus ao nome.
A noite, chegava e preparávamos uma saída com o Peleguinho que voltou a fulerar, fomos então caminhando pra uma falésia onde admiramos o nascer lindo da lua com as melhores companhias que poderíamos estar, incluindo Ana Carla que chegara.
O dia seguinte ainda prometia muitas coisas, inclusive uma ida ao posto pra comprar Diesel, que acreditávamos ser o problema do Peleguinho, contudo este só quis voltar funcionar depois de um empurrãozinho de tod@s companheir@s de viagem sob muitos risos e comemorações, quando então o Peleguinho resolveu dar uma chance, porém com a condição de ser empurrado durante toda a viagem. E foi neste momento que nossa nova/velha companheira de viagem também chegou, Inaê, menina difícil  de descrever, pois é uma mistura de tanta coisa que o que podemos fazer ao lado dela é simplesmente amar a doce loucura e paz que ela transmite.
Paramos na praia do Madeiro e ficamos algum tempo nos deliciando com o mar enquanto riamos de alguns italianos com sotaques engraçados. Em seguida partimos para outro camping onde fomos bem recebidos por policiais que nos abrigaram ao fundo de um bar de frente pro encontro do rio com o mar. Era um interiorzinho que Bruna definiu como região metropolitana de Natal. As pessoas riam com aquel@s estranh@s que chegaram com um carro engraçado que mais parecia um trailer com tanta coisa e gente dentro dele, pra eles, era difícil acreditar que cabia tanto dentro daquele carro.
À noite estávamos com as barracas armadas enquanto escutávamos uma banda local e jantávamos pão com patê. Ainda deu tempo pra ver um “bicho” nadando no rio que Leo o fiel e corajoso defensor logo concluiu que era apenas uma balde boiando.
Acordamos na quinta-feira bem cedinho com mais um dia ensolarado, o que nos proporcionou um banho gostoso naquele rio e depois partimos de encontro a Baia Formosa. Pegamos uma balsa onde podemos mergulhar pulando de uma altura de 3m, o mergulho simbolizava muito mais que um simples mergulho, era uma forma de descrever toda aquela loucura que nos acompanhava sem medo de pular no desconhecido, sem medo de sentir o que temos que sentir, sem medo de ser feliz como devemos ser, sem medo de nada, pois éramos acompanhados por uma frase que estava presente durante toda a viagem: “Vai dar tudo certo”. No final dava.
Peleguinho atolou na areia, mas dessa vez foi bem corajoso, provando que ainda há resquício de luta nele ou talvez por simples medo de ser abandonado na areia. Porém só o fez após uma ajuda de um morador local que trabalhava na balsa.
Seguimos a trilha com um safári engraçado, onde encontrávamos apenas vacas, contudo ao final da mesma trilha sofremos a influência devastadora do capitalismo que alcança os lugares mais remotos do mundo, um fazendeiro nos cobrava para passar em “suas” terras acreditando ser algo legítimo.
Isadora ainda insistia em cantarolar a mesma música, “homens” de Manu Chao, eu não conseguia resistir e sempre acompanhava no mesmo ritmo instantaneamente e de forma espontânea.
Passamos metade do dia na praia de Baia Formosa que por sinal também fazia jus ao nome. Era o momento de despedidas, momento sempre doloroso pra mim, nem sei o que se passava em meus pensamentos naquela hora, sabia apenas que era algo triste que anunciava o fim de uma semana com as maravilhosas companhias, era ainda mais difícil ter que deixar partir, a menina que me chamara, a menina que ainda sonho em descobrir palavras que descrevam o que ela me proporciona, inutilmente, pois jamais vão existir formas de descrever o que sinto, mais ainda o que sinto em tal momento de partida, tudo que sei é de apenas um medo avassalador que domina meu ser, que domina meu coração e pensamentos, que me domina e faz de mim pessoa totalmente vulnerável. Nesse meio tempo ela me questiona:
- Mas que cara é essa?
- Não sei nega.
E realmente não sei e nem compreendo. Mas sei que algo doloroso habita naquele momento.
E lá se foi, lá se foi as pessoas que eu amo, algumas outras que aprendi a amar em tão pouco tempo, sem nenhuma resistência, pois não havia necessidade. Ainda contávamos com a presença de Inaê e seguimos juntos em direção a Recife. Éramos três eu, Leo e Inaê e mal sabíamos o que ainda estava por vir.
Tudo ia bem novamente, até chegarmos a João Pessoa onde mais uma vez sofremos opressões significativas de tal sociedade medíocre. Fomos extorquidos por dois policiais que nos levaram R$ 90,00 caso contrário o Leo seria deportado e Inaê e eu não faríamos mais concurso. Os policiais ainda tiveram a cara de pau de devolver a causa de estarmos ali, tal causa era apenas algumas graminhas.
Alguns quilômetros a frente e algo novo aconteceu, o pneu dianteiro do lado direito de Peleguinho estourou, Inaê ao ver minha cara de assustado e desesperado só fazia rir. Por sorte estávamos a 800m de uma pequena cidade chamada Goiana e conseguimos resolver o problema em meio a algumas outras risadas e cervejas.
Logo mais chegamos a Abreu e Lima onde o Peleguinho aprontaria a ultima da noite, apagaria sem avisar em pleno trânsito, atrapalhando boa parte do fluxo. Fomos salvos por mais uma pessoa que surge enviado por boas energias pra nos ajudar.
Ao chegar em casa, quase não sobrou muito de nós, porém muito em nós. Em mim sobrou lembranças que se entrelaçavam e traziam saudades de momentos a poucos vividos. Ao chegar em casa duas coisas me atordoaram ao mesmo tempo, a tranqüilidade de enfim chegar em casa e o desespero desenfreado que pedia pra voltar, pedia pra amar mais e se doar mais, se é que é possível.
A aventura que passou, ficará guardada em mim pra sempre, ficará na lembrança até o ultimo momento de minha vida, como algum sonho recorrente que já causa nostalgia. Terminada a viagem e eu jamais serei o mesmo, vou sentir pra sempre a falta de tais momentos e viverei cada instante procurando fazer com que se repitam.





Um comentário:

  1. Foi tudo muito bom.
    Com bom humor e boa companhia tudo só pode dar certo. E deu!
    Espero que o reencontro não tarde e que possamos viver mais aventuras.
    E a saudade começa a bater mais forte, mas isso é bom, é como um catalisador para que nos encontremos em breve.

    Daquela que já o considera como amigo,

    Débora Sá

    =]

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